Siga-nos no Facebook
Tupinikim

Memória fugaz. História veloz. Por Mario Sergio Cortella

Memória fugaz. História veloz. Por Mario Sergio Cortella

Literatura

Memória fugaz. História veloz. Por Mario Sergio Cortella

Houve um tempo em que tínhamos uma maior possibilidade de acompanharmos os fatos sem que nossa memória fosse atormentada por uma sucessão veloz de ocorrências fugazes, marcadas por uma condição de turbinada obsolescência, com prazo de validade sempre vencendo.

Memória fugaz. História veloz. Por Mario Sergio Cortella

Um fenômeno característico destes nossos tempos é a exagerada aceleração do cotidiano e a velocidade espantosa com a qual as alterações se processam. Mal nos damos conta de um fato, acontecimento, relato ou situação, e… lá se foram o registro e a percepção para longe de nossa memória próxima. Fatos que nos atingiram fortemente, acontecimentos que nos abalaram, relatos que nos emocionaram ou situações que nos inquietaram, desaparecem das nossas lembranças, antes mesmo que os tenhamos podido compreender melhor.

Grandes notícias desta década que acompanhamos atentamente e que ocuparam nossas mentes por um lapso de tempo: o terremoto que vitimou milhares de pessoas, o assassinato de um líder político, a morte por doença de um ídolo da música, o surpreendente acidente aéreo no Brasil, o inédito movimento de impeachment de um presidente.

Lembra-se, ainda, dessas notícias? Em que ano um cientista escocês clonou uma ovelha apelidada de Dolly? Um tsunami liquidou mais de trezentas mil pessoas; recorda-se dos países ou, pelo menos, do mês? O assassinato do líder político israelense, cometido por um estudante em praça pública, foi em qual ano,  1995, 96, 97? A queda do Muro de Berlim faz tempo que aconteceu? Quando? Mamonas Assassinas, lembra? Morreram em desastre aéreo no mês de março de que ano?

Em uma quinta-feira, próximo às oito horas da manhã, fomos informados da queda, sem sobreviventes, de um avião com quase cem pessoas na capital paulista, logo após a decolagem; assistimos às chocantes cenas por muito tempo, mas, em qual ano isso ocorreu? E o processo de impeachment do presidente brasileiro, atropelado pela renúncia quase compulsória? Talvez o ano fique fácil de lembrar, mas, e o mês?

Recordamos mais facilmente o mês e o ano do suicídio de outro dos nossos presidentes ou, até, da renúncia de um deles no início dos anos 1960; guardamos, de cabeça, o ano do término da Segunda Guerra Mundial, o nome das cidades japonesas atomicamente bombardeadas, às vezes até o dia em que o ser humano pisou na lua e o nome do estádio no qual a seleção brasileira levantou o tricampeonato de futebol. (O do tetra você lembra? E a cidade? E o do penta?)

Será que os tempos eram outros? Claro; porém, nossa dedicação e atenção sobre os fatos também eram outras. Havia uma maior possibilidade de acompanharmos os fatos sem que nossa memória fosse atormentada por uma sucessão veloz de ocorrências fugazes, marcadas por uma condição de turbinada obsolescência, com prazo de validade sempre vencendo.

É por isso que muitas vezes os que temos mais idade nos surpreendemos com a dificuldade que a maioria dos jovens no nosso meio tem para compreender como história viva aquilo que para grande parte de nós é ainda memória. Ditadura, censura, sufoco político? Coisa antiga, podem pensar alguns. Solidariedade, confiança, utopias coletivas? Passado longínquo, afirmam outros. Paz e amor? Delírios de velhos, brincam vários.

Ora, por que não? Por que não paz e amor? Por que não utopias coletivas? Por que não projetos políticos? É preciso, em um diálogo marcado pela historicidade, aproximar esses dois modos de viver o presente. Sem preconceito que enclausure no pretérito e sem arrogância que desqualifique o já vivido.

Coisas de antigamente? Jamais! Coisas de futuramente…

Mário Sergio Cortella

Mario Sergio Cortella

Filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro.

*Texto extraído do livro “Não nascemos prontos. Provocações filosóficas”.
Reprodução gentilmente autorizada pelo autor através de sua assessoria MSCortella Consultoria Eireli e pela Editora Vozes.

Curta Tupikim no Facebook

Leia também:

Gostou? Compartilhe! Obrigado 🙂

Sobre o autor:

Equipe de redação do site

Clique aqui para comentar

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Leia mais em Literatura

    Siga TUPINIKIM no Facebook

    POSTS RECENTES

    Os signos do zodíaco ranqueados dos mais sortudos aos mais azarados

    Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal

    Os signos do zodíaco ranqueados dos mais sortudos aos mais azarados

    Por 6 de Janeiro de 2018
    Como reconhecer se um homem é emocionalmente inteligente

    Autoconhecimento e desenvolvimento pessoal

    Como reconhecer se um homem é emocionalmente inteligente

    Por 20 de outubro de 2017
    Quando seu filho se sente triste

    Família

    Quando seu filho se sente triste

    Por 24 de julho de 2017
    bater em uma criança
    Tomar café prolonga a vida?

    Saúde & Bem-estar

    Tomar café prolonga a vida?

    Por 11 de julho de 2017

    Buscar por categoria

    Comentários

    Curta Tupinikim no Facebook
    Subir