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Caos no Espírito Santo: Mais do que um problema policial, um problema ético!

Caos no Espírito Santo: Mais do que um problema policial, um problema ético!

Sociedade

Caos no Espírito Santo: Mais do que um problema policial, um problema ético!

Caos no Espírito Santo: Mais do que um problema policial, um problema ético!

Somos defensores da ética da conveniência ”Se está bom pra mim, tudo bem!”, o que não percebemos, é que, olhando por essa perspectiva, não somos mais uma sociedade coletiva com direitos sociais, somos bichos acéfalos que terminarão em uma luta de todos contra todos.

Tiro para o lado, tiro para o outro, assaltos a lojas e a vidas, feitos, não só por quem já é de costume fazê-lo, mas por cidadãos que batem panelas contra a corrupção, que pregam que bandido bom é bandido morto, pelo João de esquerda, pelo José de direita, e também pelo conhecido cidadão de bem.  E claro que isso vai muito além de uma crise policial, estamos vivendo um declínio ético-moral.

Basta pensar o seguinte: quem faz o bem ou deixa de fazer o mal apenas porque está sendo fiscalizado, não é bom, nem ético, é simplesmente alguém astuto. O caso que citei acima, não é abstrato, aconteceu no Espírito Santo, e enquanto muitas pessoas pararam para pensar somente na crise policial, deixaram de pensar no que é ainda mais grave: o problema ético estrutural. A célebre pergunta da filosofia cai bem, quando o assunto é ética – ”por que fazemos o que fazemos?”

O romano Cícero costumava dizer que quem faz o que faz, pensando não no bem da atitude em si, mas na boa aparência que o bem traz para quem o faz, não é ético, é esperto.  Ajudar uma velhinha a atravessar a rua visando o júbilo dos olhares que acompanham e não o bem-estar da senhora, é atitude de quem visa a aprovação, a aparência, e não a bondade em si, a atitude virtuosa.

O que você faria se fosse invisível?  Longe de qualquer câmera ou de qualquer olhar observador, somente você e a sua sombra tentando resistir à sedução de seus demônios interiores: pegar ou não pegar o Celular perdido, o dinheiro, o tênis de marca. São questões que deixo pra você.

Não é preciso ler Roberto da Matta ou Sérgio Buarque de Holanda para saber que o brasileiro é espertalhão, pirata, sabichão. Aquele que não perde a oportunidade de sair por cima, como o personagem Zeca Urubu, do Pica Pau, o grande malandro, que por algum motivo é dublado com um sotaque carioca (por que será?).  Valorizamos mais o resultado do que o processo de esforço, por isso o que vale é o 10 em uma prova, não importando como foi obtido, se mediante pesca ou estudo, o que vale é a nota.

Alguém disse certa vez que o Brasileiro se indigna com a corrupção, não pelo motivo de  esta ser uma perversão da ética, e sim por não estar participando dela, estando, portanto, na categoria de besta. E uma coisa que o brasileiro não quer ser é besta, um malandro nunca aceitaria tal alcunha.

Somos defensores da ética da conveniência ”Se está bom pra mim, tudo bem!”, o que não percebemos, é que, olhando por essa perspectiva, não somos mais uma sociedade coletiva com direitos sociais, somos bichos acéfalos que terminarão em uma luta de todos contra todos.

Existe um caso interessante em que, em uma corrida de Cross – Country, o queniano Abel-Mutai , confuso com a sinalização da linha de chegada, e achando que já tinha vencido no percurso, começou a posar para as fotos, logo atrás veio o outro corredor, o espanhol  Iván Fernández Anaya, tendo uma chance única de vencer , o que vocês acham que ele fez? Primeiro ele gritou para tentar avisar o corredor que havia se enganado, o queniano continuava sem entender, então o mexicano o empurrou à vitória.  Poucos minutos depois os repórteres chegaram e logo perguntaram-no: ”Por que fez isso?” e o espanhol respondeu: ”Isso o quê?”. Então, o jornalista persistiu: ”Por que deixou o queniano ganhar?” e foi respondido: ”Eu não o deixei ganhar, ele já ia ganhar, se eu vencesse dessa maneira, o que iria dizer para a minha mãe?”.

O filósofo Mario Sérgio Cortella, refletindo sobre o mesmo caso, argumentou que a mãe é a última pessoa a quem se quer envergonhar, já que ela é a matriz e a fonte de nossas vidas. É comum algumas crianças, ao praticarem algo errado, serem alvejadas com um ”Vou contar para a sua mãe” e com essa frase sobe o peso e a pressão de envergonharmos a nossa autoridade materna.

A ética também é um pouco disso – antes de fazer qualquer atitude, parar e pensar ”o que a minha mãe pensaria sobre isso?” Ela gostaria que eu pescasse na prova? Que eu roubasse a caneta ou o sonho de alguém? A ética também se escora na capacidade de se colocar no lugar dos outros e lembrar que a vida é muito mais do que um cenário uniforme, entendendo os deveres/direitos de cada um nesse pedaço de tempo e universo. É preciso mensurar as nossas atitudes e, de certa maneira, pensar tal como advertiu Kant, generalizando os nossos atos – imaginando, assim, o que aconteceria caso todos mentissem ou furtassem – para que assim possamos construir uma sociedade menos egoísta e mais ética.

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Sobre o autor:

Colunista dos sites Genialmente louco e Caminhos, estudante de Direito e Filosofia, poeta solitário de textos escondidos e, não poderia deixar de dizer, um grande fã de Shakespeare.Eu, você, ele... Tanto faz! Vamos todos morrer um dia.

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